sexta-feira, 8 de abril de 2016

Salvador da Bahia

Salvador é um boião de cultura afro-brasileira, herança do passado que se manifesta na vida e na arte.


Salvador fascina. É uma encruzilhada de raças e credos como não se vê em nenhum outro lugar do Brasil. Por ter sido o maior porto de entrada de escravos africanos, essa monumental injecção de sangue negro aliada à assimilação dos costumes e tradições africanas tornou a capital da Bahia um boião de cultura afro-brasileira.

Pelas ruelas ouvem-se batuques; no Pelourinho há musica de tambor e berimbau. Mas nem sempre foi assim: até 1835, ano em que a escravatura foi abolida no Brasil, o largo principal, a Praça Terreiro de Jesus, recebeu os escravos que eram para chicotear. A paisagem urbana não mudou muito: as grandes moradias marcam a cidade há séculos.

Essa herança está particularmente presente na religião, na música, na dança e no artesanato, mas não é preciso ser muito conservador para concluir que o tesouro mais palpável da capital da Bahia tem o nome do senhor. Sim. Esta é a cidade que se orgulha de ter 365 igrejas, frequentadas tanto por católicos como por seguidores do Candomblé.

Onde Santo António também é louvado como o deus Oxumaré e São Jorge como o deus Ogum. Cidade também da devoção aos Orixás e das mais belas igrejas do Brasil.

Que dizer de um lugar assim, onde as fachadas solenes dos templos e dos casarões dos séculos XVII e XVIII estremecem diariamente com os ritmos do batuque baiano e com os ensaios do bloco Olodum, cuja música é uma fusão de samba, reggae e ritmos jamaicanos? Salvador é uma encruzilhada com costela portuguesa particularmente visível no altaneiro centro histórico, dito Pelourinho, que também podia ser declarado museu de arte sacra ao ar livre, tantas e tão belas são as igrejas que se encontram.

O melhor é mesmo subir a rua empedrada que dá acesso à casa de Jorge Amado e seguir para a Praça Terreiro de Jesus, em calçada portuguesa, onde há várias igrejas para admirar: a Catedral Basílica (Sé), a Igreja de São Pedro, a Igreja de São Domingos e, acima de todas, as Igrejas de São Francisco e a Ordem Terceira de São Francisco.

A primeira (1708), de fachada sóbria e interiores sumptuosos, representa o ideal português da «Igreja Dourada» do final do séc.XVII. A combinação entre azulejos portugueses e as esculturas em talha dourada produz um efeito impressionante e não são poucos os que estremecem com a visão desta obra – prima repartida por três naves. Para muitos, esta é a Igreja mais bonita do Brasil.
Depois, é dar corda aos sapatos e caminhar ao acaso pelas ruas e vielas setecentistas do Pelourinho, prestando atenção aos casarões impecavelmente restaurados e ás dezenas de igrejas que parecem surgir do nada com o mesmo nome – Portugal – profundamente impregnado nas fachadas. Nos anos 80, quando  a UNESCO considerou a cidade Património da Humanidade, o Pelô ganhou novo folego. Foi nesse momento que se criou  a nova animação cultural que hoje não deixa a cidade parar.

Fonte: Revista Domingo CM
Texto: André Pipa
Fotos da Net
© Carlos Coelho

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